Wachuma: Unificador

O cacto Trichocereus pachanoi é conhecido pelo povo andino do Peru como Wachuma, cujo significado é “ébrio e consciente”. A espécie nativa do Peru e Equador, também pode ser encontrada na Bolívia, Argentina e Chile, além de também cultivada ornamentalmente ao redor do mundo. Wachuma foi renomeado San Pedro pelos colonizadores espanhóis, devido a estória de que o santo possuía as chaves do paraíso, o que nos leva a contemplar as características desse cacto.

O princípio ativo central do Wachuma é um alcalóide conhecido como mescalina (3,4,5-trimetoxifeniletilamina), porém o cacto colunar também contém muitos outros compostos em menor concentração.

A espécie é usada para a cura em contexto xamânico, porém pouco estudado no formato científico. Os efeitos variam dependendo da dose e de cada organismo. Mas efeitos comuns em pequenas doses são sentimentos de paz, risadas e cores vibrantes; e em doses maiores experiências visionárias, de dissolução do ego e união com o todo. Psiconautas (termo usado para exploradores da psique) contam estórias de visões influenciadas por Wachuma incluindo aparições de seres astrais, mitológicos e de outros planetas. Alguns dizem que esses seres habitam outras dimensões, outros acreditam que são projeções do nosso inconsciente.

É consumido de forma ritualística por diferentes tribos indígenas há mais de 3,500 anos. O mais antigo artefato arqueológico (1,500 a.C) relacionado com a planta foi encontrado em Chavín de Huantar no Peru, berço da cultura pré-inca Chavín. Esse artefato mostra uma imagem talhada em pedra de um Wachumero (xamãs que usam Wachuma para rituais sagrados) segurando um cacto. Segundo estudo da Stanford University, em um sítio arqueológico da região, câmaras subterrâneas secretas foram construídas capazes de emitir efeitos sonoros alteradores de consciência. Nesse ritual, após consumir Wachuma, os participantes do ritual caminhavam por esse labirinto, enquanto os condutores produziam sons usando conchas. Depois de horas caminhando os participantes encontravam um buraco no teto com o sol atravessando, do qual podiam ver uma grande estátua de Lánzon, um deus que representa a união do céu (cosmos) e da terra, coberto com serpentes.  A experiência influenciava os participantes a acreditar que eram almas imortais presentes em um corpo mortal, diminuindo o medo da morte.

A popularidade do Wachuma tem crescido com pessoas de várias culturas buscando entrar em contato com o mundo espiritual, e junto, a mais popular Ayahuasca, tem levado muitos estrangeiros a viajar para a Amazônia em busca de xamãs. Os próprios xamãs também estão expandindo seus rituais pelo mundo espalhando suas medicinas e ensinamentos. Hoje nos principais centros urbanos do mundo, rituais clandestinos com essas plantas ocorrem  frequentemente.

Que tipo de impacto no mundo a difusão dessas práticas e plantas pode causar?
Talvez a conscientização e internalização da nossa interconectividade.     

Referências:
https://ccrma.stanford.edu/groups/detail            
https://www.sciencedirect.com/http://reset.me/story/huachuma-healing-medicine-for-modern-times/

PS: O Semente pra Mente também é um podcast! Escute aqui!

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